segunda-feira, 28 de julho de 2008

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

“Um motorista, parado no sinal, subitamente se descobre cego. É o primeiro caso de uma ‘treva branca’ que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos vão se descobrir reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas [...]”.
“Fez-se um silêncio, e ele disse, Estou cego, não te vejo. A mulher ralhou, Deixa-te de brincadeiras estúpidas, há coisas com que não devemos brincar, Quem me dera que fosse uma brincadeira, a verdade é que estou mesmo cego, não vejo nada, Por favor, não me assustes, olha para mim, aqui, estou aqui, a luz está acesa, Sei que aí estás, ouço-te, toco-te, calculo que tenhas acendido a luz, mas eu estou cego. Ela começou a chorar, agarrou-se a ele, Não é verdade, dize-me que não é verdade [...]”.

Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso - José Saramago

3 comentários:

  1. Nossa pareçe bom vc leu?gostou?
    As vezes a gente passa pelas coisas e não enxerga nada.
    bjs

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  2. Dan, li esse livro há um tempo. Foi um misto de terror e fascinação.
    Nos faz repensar muita coisa.
    Tenho "dificuldade" de ler Saramago, mas indico à quem for: um gênio!!

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  3. Esse livro tá nos tops da minha lista de livros pra ler há tempos. Mas confesso que ainda não tive coragem...!
    To com saudade docê!
    Bjs!

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